Parque Lenin
Oscar Niemeyer
A luta do povo cubano contra o monstro imperialista.
A idéia era passar um dia todo em Varadero. Deveria ter comprado o passeio no domingo pra ir segunda-feira, mas perdi a hora e a agência fechou (tudo fecha muito cedo e que se dane o turista). Às segundas-feiras os museus fecham. Eu tinha lido duas semanas antes, na Folha de São Paulo, que uma obra do Oscar Niemeyer havia sido inaugurada na “Faculdade de Ciências e Computação”. Anotei o nome da “faculdade” num papelzinho e levei comigo. Achei que seria fácil encontrar a obra. Máquê!!!! Eu falava o nome do lugar, o nome do arquiteto, falava, falava e ninguém entendia!!!! Eles diziam que era na UCI. E eu... mas que diabos é “uci”? Disseram que era longe, fora de Havana. Perguntei para outro taxista que não sabia nem o que estava fazendo no planeta Terra. ALOU. A recepcionista do hotel havia falado que a casa do Ernest Hemingway abria às segundas. Quando já estava desistindo e querendo seguir rumo à casa do escritor, um cara ouviu a pergunta que eu fiz para o taxista, falou alguma coisa que não entendi e gesticulou. Aqui no Brasil o gesto diria que o desejo dele era me mandar pra puta que pariu, mas ele estava pedindo para que eu o seguisse. Acabei na Embaixada do Iêmen. O cara falava um espanhol difícil, mas deu pra entender. Descobri que UCI significa Universidade de Ciências e Informática. Amaldiçoei a Folha de São Paulo e a burrice.
O taxista enfiou a faca, mas eu já tinha feito uma pesquisa de preços sobre os passeios nas agências. Pra fazer apenas a “Rota Hemingway” cada um gastaria 35 CUC´s. Acertamos pagar 45 para o taxista charmoso – que só não deu pulinhos de alegria pra não ficar chato - para conhecer a UCI, o Parque Lenin e a casa do escritor. Era longe mesmo.
A recepção na Universidade não poderia ser mais estranha. Eles olhavam pra nós como se fôssemos extraterrestres. Não entendiam o que a gente estava fazendo ali. Ver a obra de quem? Pra quê? Demorou uns 10 minutos até chegar uma professora universitária que seria nossa “guia”. Ela olhou pra gente do mesmo jeito. Do tipo “hã?” E lá fomos nós explicar o que cada um fazia, onde tinha lido a notícia e etc. A professora disse que até aquele dia ninguém tinha ido até lá pra ver a obra. Fomos os primeiros! ;)
Havana Club
Fiquei pilhada pra comprar um balde de gelo do Havana Club. Imagine um país de funcionários públicos. Imaginou? Não posso generalizar, não farei isso, mas eu tenho que reclamar um pouco. Entrei na loja na melhor das intenções: comprar um balde e degustar o rum 3 anos, 5 anos, 15 anos. Enfim... eu queria beber, digo, experimentar. O cara da degustação disse “ESTÁ FECHADO”. Pensei que fosse apanhar. Na lojinha, ninguém queria me atender. Eu perguntava o preço das coisas* pra um que me mandava falar com outro que apontava pra outra. Meu sangue subiu e deu um “tuimmm” no meu cérebro. A luz vermelha piscou. Fui embora. O balde não saiu do meu pensamento durante o resto da viagem. Um tormento.
*se tem “dificuldade” pra falar o preço e não vai ganhar nada se vender ou não, tudo bem! Eu entendo! Mas coloca a porra do preço nas coisas pra evitar ser incomodado enquanto lê, fuma charuto, bebe rum ou coça a virilha, né!
Trem
Quando inventamos de viajar até Santiago de Cuba, pensamos em dois meios de transporte: trem ou ônibus. Uma coisa é certa: ainda bem que não escolhemos o trem. hahaha
Callejón de Hammel
Santuário afro-cubano. Local de cubanos muy hermosos.
Não faça essa carinha de nojo! É só assim que eu sei te amar!
...
por que você está tão sério, meu amor?
Universidad de Habana
Rincon de los cretinos
Que medo!
Vai que é sua, Raúlllllll!
Contando um segredo...haha
los três patetas
Museu da Revolução
Antigo palácio presidencial ocupado por Batista. Ele fugiu dali quando estudantes universitários invadiram o local pra tentar matá-lo. Aconteceu no dia 13 de março. Contei a história quando falei sobre a Necrópolis Colón. Costumo ter crises de ansiedade em museus, mas neste eu tive uma crise pior. Tirei tantas fotos que meus braços ficaram doloridos. Tirei foto de tudo, tudo, TUDO.
Belo carro!
heh
Embaixada Americana
(onde fica o letreiro)
Estávamos andando e ouvimos um apito. Continuamos andando e ouvimos mais apitos. Olhei para o militar. Ele apontou o dedo na minha direção e depois apontou o dedo pra o chão onde ele pisava.
M: - Acho que a gente não pode andar aqui.
R: - Ah... foda-se!
Continuamos andando. Os caras apitaram novamente. O som saiu nervoso, o militar que estava na mesma calçada que a gente entrou numa cabine e ligou para o policial que estava do outro lado da avenida. Os dois riram. E continuaram apitando. Só faltei gritar “JÁ VAI PORRA”. Eles queriam que a gente atravessasse IMEDIATAMENTE. Eu é que não iria morrer vítima de tétano ao ser atropelada por um carro de 1956! Na primeira folga... corri. Desesperada. *Pavor de atravessar aquela avenida*. Já a salvo, deus é misericordioso *drama*, perguntei ao engraçadinho o motivo de tantos apitos. Ele disse que ali eu não podia pisar porque era oficina de interesse dos EUA.
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!
El monte de las Banderas
Quando passei ali, pela primeira vez, eu estava dentro do ônibus. Achei lindo demais! Voltamos a pé até aquele ponto justamente pra tirar fotos. Eu deitaria no chão pra ficar olhando e escutando o som das bandeiras ao vento. Já falei o quanto eu gosto de bandeiras? Pois é. Amo.
Se você reparar nesta foto, vai ver que tem um letreiro luminoso atrás delas. Ali, o tempo todo, aparece notícias de outros países e ofensas ao governo de Cuba.
Fidel inaugurou em 2006 esta obra em resposta aos insultos. As bandeiras escondem o letreiro. São 138 bandeiras que representam os anos de luta do povo cubano.
A verdade é que...
Malecón
... eu já estava um pouco deprê antes da viagem. Após ter conhecido Cuba os sentimentos reviraram. Porque a gente vê que é possível. Uma sociedade que não é baseada no consumo. E que existe vida além do capitalismo. As pessoas se respeitam e existe solidariedade. Nunca vou deixar de admirar o povo cubano. É algo que vou carregar comigo pro resto da vida. Você passa duas semanas num lugar assim e quando volta, sente um certo desconforto. Não dá pra ignorar que fiquei furiosa por ter que andar em São Paulo com medo, por ter que fechar as janelas do carro. Furiosa por ter que voltar pra rotina, pra chatice do dia-a-dia. Pras conversinhas corporativas, pra mesquinharia do “nosso” mundo. E eu fico tão triste. Tenho uma maneira muito peculiar de lidar com o mundo. Não sou de ficar o tempo todo lastimando “oh céus oh vida”. Reclamo bastante se está chovendo ou se está sol. Mas da vida mesmo eu não reclamo. Eu aceito do jeito que ela vem. E essa passividade me cansa. No momento, estou exausta. A nossa sociedade é tão perversa. Não importa o que eu sou, importa o que eu tenho. Fico bastante preocupada com a inversão de valores.
As pessoas são horríveis. Não há nada de novo nesta constatação, mas eu me sinto uma criança aterrorizada.
Bela imagem
Hotel Nacional
Castillo
Andamos pra caramba procurando pelo Castillo del Príncipe. Que era perto, mas ficou longe. Andamos, andamos e nada. Estavam “consertando” a rua do Castillo e não dava pra chegar até ele. Não sei quem teve da idéia de ir atrás desta porra!rs. Desembocamos no Hotel Habana Libre, entramos pra dar uma olhada e pra ella matar as saudades. Depois seguimos para o Hotel Nacional, antigo, famosão e “chique”. Mas o cheiro de mofo...
Hotel Nacional
Ella não se conformava por não ter visto tantos camellos como da outra vez. A gente até tentou pegar um ônibus pra ver onde ele nos levaria, mas não tínhamos pesos cubanos. Eles não aceitam CUC´s nos ônibus. Muitos menos turistas. A gente pediu informações pra um cara no ponto de ônibus. Ele respondeu incrédulo “pegue um táxi”.
Obs.: Como temos muita sorte, na nossa vez de subir de elevador e ter uma visão panorâmica de toda a cidade, ele quebrou.
Foto tirada no Mausoléu José Marti - em Santiago de Cuba.
Dentro do museu, uma exposição:
As telinhas mostravam o processo de criação de cada uma das obras, embaladas por música cubana.
Dentro do Memorial José Martí
e aí, gatinho?
*O Raúl Castro não guarda nenhum traço da juventude. O Fidel sempre teve cara de Fidel. O Raúl de hoje não tem nenhum resquício do Raúl de ontem.
Memorial José Martí
José Martí
Primeira voltinha de cocotaxi.
Las Víctimas de la Caridade
Monumento com túmulos das vítimas de um incêndio que ocorreu em 22 de julho de 1897. Fiquei maravilhada com a expressão dos rostos. Foi projetado por arquitetos espanhóis.
Onde estão enterrados os heróis das Fuerzas Armadas Revolucionárias.
Martires del Asalto al Palacio Presidencial
Monumento em homenagem aos estudantes mortos no ataque ao palácio presidencial de Batista em 1957.
As sombras das bandeiras refletem no chão, exatamente o horário em que começaram as ações dos estudantes contra o palácio...
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